A real do casamento Real

Sexta feira pela manhã, acabo de acordar e vou ler os principais jornais brasileiros: o prazo para a entrega da declaração do IR (imposto de renda) termina hoje e 2 milhões de pessoas ainda não entregaram, a gasolina aumentou, nos EUA 290 pessoas morreram por causa de um tornado, no Egito outras 17 foram à óbito ao cair de um ônibus no rio Nilo, sem contar a entrevista maravilhosa que o Thiago Pethit deu à Folha de SP. Com tanta coisa acontecendo no mundo nas últimas semanas, o que foi capa dos principais jornais foi o casamento de Kate Middleton com o príncipe Willian.

Não que isto não seja um acontecimento grandioso para quem mora no Reino Unido. Mas o que eu, brasileira, suburbana, moradora de um país do terceiro mundo, tenho a ver com a história? Nada. Isso não mudará a vida de ninguém, apenas dos tablóides europeus que terão mais uma pauta para encadernar.

Mas, já que me colocaram a par da cerimônia toda, me sinto no direito de comentar o que eu quero! Primeiro: que vestido é esse, Kate? Queria ser estilista, então por que foi fazer faculdade de História da Arte? Olha só, não é por nada não, mas se tocam o tempo inteiro na tecla de “plebéia que virou princesa”, nada mais justo para enfeitar o imaginário da população do mundo do que usar um vestido digno de contos de fada! Deveria seguir o exemplo da sogra…

Segundo: “plebéia” vem de “plebe” (o conjunto das pessoas pertencentes às classes menos favorecidas; povo, patuléia, zé-povinho. Fonte: Aurélio). Este título não cabe a uma pessoa que teve cacife para estudar Universidade de St. Andrews!

Não vou nem ironizar esse amor todo que esperou oito anos pra se oficializar, nem a grana estapafúrdia gasta na cerimônia, nem o circo armado no país inteiro e nem a adoração estúpida do povo por esse casal. Critico a mídia, que se diz séria, colocar este evento na primeira página, como se isto fosse a coisa mais importante do planeta. Porra! Que saco. Parece-me mais um golpe de marketing para o príncipe ocupar o trono com o apoio da plebe – “plebe”… hahaha! plebeu é brasileiro, que ganha um salário de merda, trabalha pra caramba e tem que colocar o filho numa escola pública miserável – e substituir de uma vez por todas o cara de fuinha do Challes.

Interessante seria abrir os jornais e ler as reais motivações deste casamento: conter uma crise, ganhar mais dinheiro, camuflar escândalos, ganhar popularidade junto aos ingleses… Ou você acha mesmo que esta é uma bela e romântica história de amor entre almas gêmeas que finalmente se encontraram?

Ok, é necessário manter os bons costumes…

Fotos: Reprodução.

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Sobre Colérica

Nasci nos anos 80 - sim, sou maior de idade, mesmo que não pareça! Estudante de jornalismo (típico caso onde se prefere seguir um sonho a buscar dinheiro). Alheia a novelas, filmes cult, comidas extravagantes e palavras difíceis. Sou fascinada pelo Egito, viciada em batata frita, minha cor favorita é o amarelo e meu cabelo me odeia. Eu tinha uma gatinha, mas ela morreu envenenada. O que mais há para se falar de uma garota?Ah, quase ia esquecendo: sou irônica. O que eu espero do mundo? Menos Vogue e mais Dostoiévski, se é que me entende...
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