Uma Falácia Chamada Carnaval

Carnaval existe por três motivos básicos:

1 – Provar que no inferno toca axé;

2 – ter quatro dias de folga com pretexto garantido pra ficar bêbado e comer gente feia e gorda – eu sei, é tentador contrair DST ou herpes labial –; e

3 – ser irônico com quem está em casa duro – e nem é no bom sentido –, tentando, em vão, “aproveitar” o carnaval.

Sim, porque se você não curte sair por aí pra ter sucessivas simulações de estupro em público e não tem grana pra viajar, o que te resta a fazer é ficar em casa e assistir televisão. Mas aí quando você a liga, o que está passando? O desfile das escolas de samba! Isso teria lógica se eu estivesse na Alemanha, mas eu estou no Brasil. Se eu realmente quisesse ver isso, iria até o sambódromo mais perto da minha casa.

Por falar nisso, lembrei daquele pessoal que insiste em dizer “vou me jogar no samba”. Samba? Noel Rosa deve estar se revirando na tumba nesse momento! Até poderia acreditar nessa desculpinha esfarrapada de “samba”, mas antes de “ícones musicais” criarem sucessos como “dança do creu”, “é o pente, é o pente, é o pente” e o tal do “vou não, posso não, minha mulher não deixa não”. Bom, desse último eu nem vou falar muito porque o baixista morreu, e falar mal de morto no Brasil é anti-ético, pecado, desumano, bizarro, antipatia, mentira etc.

Pior do que o axé é a falta de coerência nas ações das pessoas durante o carnaval. Veja bem, nessa época os homens se vestem de mulheres, com direito a maquiagem, voz e trejeitos femininos, mas usam o resto do ano para praticar a homofobia. Já as mulheres, que passam 360 dias lutando por um espaço no mercado de trabalho, para serem reconhecidas por seu caráter, bom senso e inteligência, fodem com tudo em cinco dias: quatro pra “pular” carnaval (e do penhasco social que aumenta a medida que a roupa diminui) e um pra mostrar as fotos da bunda no Facebook – não, porque a onda agora é Facebook, Orkut virou “coisa de pobre”.

Carnaval é coisa de europeu, assim como futebol e cerveja. Virou um negócio brasileiro – e dos bons – pra iludir o povão, fazer as pessoas consumirem drogas, álcool e contrair DST’s. É a velha política do pão e circo, mas sem a parte do pão, já que temos cerca de 13 milhões de brasileiros na miséria, segundo dados do Ipea, recebendo menos de 70 reais por mês, enquanto camarotes “maravilhosos” da Bahia, com atrações como Asa de Águia e Jammil – pra que dois M’s? – chegam a custar mais de 1.000 reais. Isto me leva a considerar a palavra “popular” uma grande mentira…

 

 

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Sobre Colérica

Nasci nos anos 80 - sim, sou maior de idade, mesmo que não pareça! Estudante de jornalismo (típico caso onde se prefere seguir um sonho a buscar dinheiro). Alheia a novelas, filmes cult, comidas extravagantes e palavras difíceis. Sou fascinada pelo Egito, viciada em batata frita, minha cor favorita é o amarelo e meu cabelo me odeia. Eu tinha uma gatinha, mas ela morreu envenenada. O que mais há para se falar de uma garota?Ah, quase ia esquecendo: sou irônica. O que eu espero do mundo? Menos Vogue e mais Dostoiévski, se é que me entende...
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8 respostas para Uma Falácia Chamada Carnaval

  1. Ótimo seu blog! Deveria escrever com mais frequência, vou te acompanhar!

    Eu gosto de carnaval, mas posts contra carnaval sempre são cheios de razões… ehehe… O que me leva a crer que quem não gosta de carnaval é que tem argumento… eheheh

    Obrigada pela sua visita!

    Beijocas

  2. Bill Falcão disse:

    E é uma grande mentira, mesmo, Rubia! Bom ver que não sou só eu quem pensa a mesma coisa sobre essa “festa popular”. E aquela jornalista da TV Tambaú mandou ver direitinho, né? Bjoo!!

    • colerica disse:

      O melhor é que a Rachel falou aquilo em uma emissora paraibana. Foi contra todos os clichês: ela é uma mulher jovem, bonita, mora em um lugar que a galera curte axé mais que a própria vida e, numa época em que a TV mostra o qu o povo quer ver, ela falou mal do carnaval da atualidade. Mandou muuuito bem.
      Mas o meu post não foi inspirado no dela, a não ser o último parágrafo. A inspiração veio da antipatia que eu sinto dessas datas tão cheias de hipocrisia.

  3. Gabriela disse:

    Sabe, ha uns anos anos atrás eu criticava muito o carnaval e seus seguidores. Mas atualmente sou bem indiferente a essa data. Gosto só porque tenho dias sem aula nos quais posso aproveitar bastante com pessoas que eu gosto.

    Esse lance de que o ano só começa mesmo depois de Fevereiro (Março, no caso).

    Hahah. Adorei aqui. Também visitarei com mais frequência.

    Beijos

  4. “Isso teria lógica se eu estivesse na Alemanha, mas eu estou no Brasil. Se eu realmente quisesse ver isso, iria até o sambódromo mais perto da minha casa.” Nunca tinha parado para pensar por esse lado. Interessante!

    Gostei dos seus argumentos, mesmo não concordando com todos eles. Vocês os defendeu bem e com humor.

  5. “…e falar mal de morto no Brasil é anti-ético, pecado, desumano, bizarro, antipatia, mentira etc”

    Que sacada! Aindo estou para responder aque le tópico, não terminamos não! ;-P
    Beijo

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