Vamos falar de política

A dois meses das eleições, nada mais clichê do que falar do assunto da moda: política.

De um lado temos os que gritam “comunistas não comem criancinhas” e do outro, os que dizem que “vermelho é a cor do Satã”. Há ainda uns poucos que preferem pensar nas flores vencendo os canhões e aqueles que se lembram daquele candidato lá… Como é mesmo o nome dele?

Mas não quero falar de candidatos. Sou sincera quando afirmo que não sei em quem votar; em quem colocar no poder; em quem eleger para presidir o país onde moro. Desses, nenhum Zé e nenhum Mari(n)a me chamaram a atenção (positivamente).

Todos os dias recebo dezenas de e-mails com o intuito de desmerecer a candidatura de fulano ou de sicrano. E-mails estes agressivos a tal ponto que dão margem a brigas, como se estivessem a defender a Madre Teresa de Calcutá ou Jesus. Em certas horas me sinto assistindo a um clássico: São Paulo X Corinthians, no Campeonato Brasileiro.

Quero falar de quem mais importa nessa hora; de quem só tem sido importante a cada quatro anos: o cara que elege. Esse sou eu. É você.

Estou cansada de ver duas atitudes dos eleitores. A primeira é aquela ladainha de “ele rouba, mas faz”. A segunda é colocar interesses individuais à frente do coletivo.

Baseada nisto, me resta duas perguntas. Um: “ele rouba, mas FAZ O QUÊ?”. Dois: Você já leu a história de Judas (que se vendeu para entregar Jesus)? Aliás, você já alguma coisa na vida?

Se cara que você deu um voto de confiança te trai, o que resta a fazer é partir para outra. Certo? Não inverta essa coisa que sua mãe costuma chamar de “valores” (morais, por favor). Não vejo lógica em colocar no poder, para cuidar dos interesses de 190 milhões de pessoas, um cara que – comprovadamente – é corrupto. Depois de um tempo, quando ele lavar dinheiro público (a TUA GRANA) alegando comprar panetone para os mais necessitados, não vale reclamar. Foi você que o escolheu, mesmo sabendo desse “desvio de caráter” do meliante.

Agora, pior do que a ingenuidade é a banalização do voto. A auto-estima do brasileiro é tão baixa, que ele acha que o seu voto não é importante, por isso o vende a preço de banana. Você acha mesmo que uma cafeteira nova (ou até mesmo uma casa) vai quitar o valor de mais quatro anos sem aumento salarial digno, passagens caras, privatizações, bens públicos sucateados, mortes em filas de hospitais públicos por negligência ou demora no atendimento, inflação (cruzes, neh?) e escolas de qualidade apenas para quem pode pagar por isso (exatamente como na era medieval, onde somente os poderosos tinham acesso à informação)?

Por mais que eu precise de uma casa e emprego melhores, acredito que essa é a hora de exercer o meu direito e dever de votar em alguém que, no mínimo, pareça íntegro e tenha como base das propostas um ensino público de qualidade. Alguém que não me venha com o papo de um Brasil alfabetizado em quatro anos! Que seja honesto em afirmar que a educação é algo demorado, mas que se dermos prioridade máxima a isto, em uns vinte anos colheremos excelentes frutos, como: profissionais bem preparados pedagógica e psicologicamente, cidadãos conscientes de seus direitos e obrigações e políticos honestos (por que não?).

 

Anúncios

Sobre Colérica

Nasci nos anos 80 - sim, sou maior de idade, mesmo que não pareça! Estudante de jornalismo (típico caso onde se prefere seguir um sonho a buscar dinheiro). Alheia a novelas, filmes cult, comidas extravagantes e palavras difíceis. Sou fascinada pelo Egito, viciada em batata frita, minha cor favorita é o amarelo e meu cabelo me odeia. Eu tinha uma gatinha, mas ela morreu envenenada. O que mais há para se falar de uma garota?Ah, quase ia esquecendo: sou irônica. O que eu espero do mundo? Menos Vogue e mais Dostoiévski, se é que me entende...
Esse post foi publicado em Artigos e marcado . Guardar link permanente.

3 respostas para Vamos falar de política

  1. Sandra disse:

    Excelente Lê. Excelente. Posso copiar e usar com meus alunos?

  2. Bill Falcão disse:

    Sua conclusão é excelente e tudo aponta mesmo para um futuro que talvez nem seja assim tão distante. Uns 20 anos, você supõe. É daí pra frente mesmo.
    Mas, enquanto eu lia, me veio à lembrança aquela história do velho Diógenes e sua lanterna, procurando pelas ruas escuras um homem…..honesto!
    Bjoo!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s