Eu, Ilha

Acabei de ler um livro que, sem dúvidas, é o livro da minha vida. Amor a primeira vista. Comprei-o simplismente pela curiosidade em entender a dedicatória que vi na primeira página. Dizia o seguinte: “este livro é para as pessoas que acreditam que sempre existirão lugares a serem descobertos! Você é uma delas!!!Bjos Cici.” O nome do livro é “O conto da Ilha Desconhecida”, do José Saramago. Eu iria comprar outro livro dele, mas esse nome, essa dedicatória, a ilustração da capa irreconhecível (a quem não leu), me encheram de curiosidade infantil e eu senti um daqueles desejos, que se tem num dia de chuva, de sair sem destino e sem guarda-chuva.

Faz uma referência à batalha que é conseguir uma vida pra chamar de sua. Mas o ponto central da viagem, por assim dizer, é O QUE fazer quando se tem o que se deseja. Esperar e ver quem vai à caça de respostas sobre a sua existência com você? Ir de encontro ao desconhecido atrás delas? Desistir; jogar essa conquista ao mar?

É preciso sair de dentro de si para conseguir se enxergar direito. Todos nós somos ilhas desconhecidas. É preciso navegar para encontrar o que ainda não foi achado. Não são livros de psicanálise, de astrologia, de alguma religião ou os diálogos de Platão que vão dizer quem você é. É a sua viagem, a sua decisão, que vai fazer a caravela sair do porto em direção à sua Ilha interior.

“-Sempre tive a idéia de que para a navegação só há dois mestres verdadeiros, um que é o mar, e o outro que é o barco.

-E o céu, estás a esquecer-te do céu.

-Sim, claro, o céu.

-Os ventos.

-As nuvens.

-O céu.

-Sim, o céu.”

(diálogo entre o Homem e a Mulher da Limpeza, sobre  aprender a navegar)

P.s: O desenho da capa é uma caravela!

P.s.2: Agora eu entendo bem melhor “Terra de gigantes“, do Humberto Gessinger, onde diz: “pois agora lá fora o mundo inteiro é uma ilha a milhas e milhas de qualquer lugar”.

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Sobre Colérica

Nasci nos anos 80 - sim, sou maior de idade, mesmo que não pareça! Estudante de jornalismo (típico caso onde se prefere seguir um sonho a buscar dinheiro). Alheia a novelas, filmes cult, comidas extravagantes e palavras difíceis. Sou fascinada pelo Egito, viciada em batata frita, minha cor favorita é o amarelo e meu cabelo me odeia. Eu tinha uma gatinha, mas ela morreu envenenada. O que mais há para se falar de uma garota?Ah, quase ia esquecendo: sou irônica. O que eu espero do mundo? Menos Vogue e mais Dostoiévski, se é que me entende...
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5 respostas para Eu, Ilha

  1. eudeveria disse:

    Adoooorei o post….
    Fiquei curiosa pra ler o livro….é bom mesmo??
    é livro de auto-ajuda???

  2. R. Letícia disse:

    rs..é muito bom MESMO! Acho que todo mundo deveria saber que é uma ilha desconhecida…quer emprestado?
    =)

    P.s: não é de auto-ajuda. Na verdade é um conto, que no fim das contas(rsrs) acaba ajudando quem lê a se entender um pouco. Aliás, a buscar se entender.

  3. Ray disse:

    Só para dar um contraponto instigante a idéia do Saramago xD :
    “Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada homem é parte do continente, parte do todo; se um seixo for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se fosse um promontório, assim como se fosse uma parte de seus amigos ou mesmo sua; a morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”. John Donne

    • colerica disse:

      A idéia de Saramago era deixar perguntas de você para você mesmo. Uma espécie de perguntas mapa. Onde o mapa te leva a você, ao seu “eu” verdadeiro. Essa parte desconhecida, que ninguém e nem mesmo você conhece, necessita ser conhecida para que você seja feliz, completo. É uma viagem sobre os conceitos que você tem, sobre o correto, sobre tudo. Somos todos uma ilha.
      Não precisamos deixá-la desabitada para sempre e nem deixar nossas ilhas isoladas. A junção de todas as ilhas forma um mundo. Somos mesmo parte do continente, mas antes somos ilhas isoladas.

  4. Flávio "Jesus" disse:

    Saramago é sem dúvida um dos melhores escritores do mundo. Ele está morto fisicamente, mas suas obras transcendem a morte, são eternas. Confesso que li (superficialmente, admito), apenas Ensaio Sobre a Cegueira, mas fiquei curioso em relação a esse livro que você leu. Saramago não era apenas um escritor, era um guru, um guia universal, um sábio, um dos homens mais sensatos e inteligentes que já pisaram nessa virulenta Terra. Parabéns pelo texto!

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